Faço minha a necessidade do Artur Bispo do Rosário:

"Eu preciso / dEstas PaLavras / Escritas!"

Sou(L) também ESTA'MIRA:

"A minha carne, o sangue, é indefesa, como a Terra; mas eu, a minha áurea não é indefesa não. Se queimar os espaço todinho, e eu tô no meio, pode queimar, eu tô no meio, invisível. Se queimar meu sentimento, minha carne, meu sangue, se for pra o bem, se for pra verdade, pra o bem, pela lucidez de todos os seres, pra mim pode ser agora, nesse segundo, e eu agradeço ainda."

...@ PraZer é Noss@:

"Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lid@ é um prazer superficial.
Virginia Woolf

...E, inspirada em Frida Khalo:
"NUNCA ESCREVI MEUS SONHOS. / ESCREVO MINHA PRÓPRIA REALIDADE!
[c.m]"

Fragmentos d'O LIVRO de THETA...

Andarilha

A Grécia às minhas costas
e eu nas dela.

Nada de mitos
nem filosofia
nem história.

Apenas o mar
e meus olhos d'água.


Al mare!

Adriático mar-tapete
Calmo em tarde
Que o sol se cinza
Sob úmidas nuvens
Tantas


Regra

Óvulos desmancham em sangue até às pernas
Andarilha por Olímpia
Fêmea menstruada
Passa essa trilha e aquela
E na vida há muita regra
Na vida há ainda muita estrada



À Dionísios

...Espalho hoje ao léu por Olímpia

fios longos de ébanos-cabelos ninfos
e gotas ralas de meu sangue cálido

...Theta ébria de vinho farto


Despeito

Santuário de ruínas rebuscadas
Poeiras e parreiras dionisíacas
sobre os destroços olímpicos
do templo de Hera

Há que ser Hera
Aquela fera magoada
Aquela bela
Ela que não tomava do vinho
nem um trago
Por ser culto
do filho bastardo
de seu macho amado


Skala

...Polvos estendidos no varal
A alma lavada na calçada com um riso largo
Na estepe a fortuna do aromático laranjal

Uma escala na cidadela Skala
O gamão jogado na esquina
Regado a café, vinho novo e retsina
Como parte do hábito local

Brotam buganvílias róseas
Azaléias exalam
Do insólito e caliente grego solo
E as romãs na manhã tudo encanta e encarna...


Passeio...
Leite de cabra para banhar as peles divinas
Ramalhetes de oréganos, louros e olivas selvagens pelos canteiros
Ortodoxas vovós de negro
São viúvas de guerra banguelas
E ciganos a ermo
Pelos becos tortos e arredios
Sob sol a pino
Do - sem deuses - solo grego
Passeio...


Paradoxo

Foi-se da antiga Grécia o encanto do mito
e de tudo que foi [-se]
fica o paradoxo
do domínio ortodoxo
na cultura local

Amém!


À calhar

Sementes de nada não vingam. Muitas no munturo a germinar. Conchas finas não suportam atritos; as espessas suportam até contínuos... Colchas mal costuradas rasgam-se em detalhes. Alheios retalhos de vivências formam personas. Gravetos postos ao mar sempre tornam à beira da praia. Navios também encalham nos olhos. Estar a haver nas vias mais vida... Quando o caos parece estático está apenas silente. Desolado, oxidado, incendiado no paradoxo de estar sobre águas; no não meu mar. Eu que não possuo nenhum... Nem nada. Bela caótica visão que quase nada. Que nem balança com as ondas do mar/rítmo grego. Que faz do arrecife submerso sua cama e da praia sua morada. Eu à toa espreito na areia cálida o navio Dimitrio a me dar um poema de sua imagem... A calhar!


Torna-viagem

E
Adiante
A melodia célere

Do pulsar
E do vento

Sobre minha’lma de maresia
E passado vário


Instinto de Odisseus

Quando a dista
Se mira ilhas
Há sempre que se precipitar
Ao desejo
De desvendar
O h o r i z o n t e
do lado
de lá
E mais e mais
E cais a mais
Milhas-Vendavais-Ilhas-Mais

Ardil Anseio Ardil
Propulsa ao mar
Vezes mais
- nenhum porto para ficar -

- senão –

Refestelar de terra
os pés
e água doce
sobre a tez

E, [quiçá um dia] à minha Ítaca-Natal tornar...



[c.m] Civone Medeiros


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