Toscas Fatias de Escrevinhaduras
1999
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Dedicado
à
Meus Pais, Maria Ivone e Cícero Lourenço;
Bianca, minha filha amada;
GHAP – Grupo Habeas-Corpus Potiguar;
SPVA – Sociedade dos Poetas Vivos e Afins/RN;
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Em Homenagem
à
Fernando [tantas] Pessoas;
Clarice Lispector;
Allen Guinsberg;
Bosco Lopes;
Edgar Borges [Blackout].
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VOCÊ, LEITOR
Você, leitor, que pulsa
de vida e orgulho e amor,
assim como eu:
Para você, por isso,
Os cantos que aqui seguem!
Walt Whitman
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OFERTÓRIO
TE OFEREÇO MEU CAFÉ AMARGO
Para que você possa distinguir o agridoce
de meus beijos cálidos
TE OFEREÇO MINHA EBRIEDADE
Para que você possa gozar de minha lúdica lucidez
TE OFEREÇO MEU ORGASMO SILENTE
Para que ouça os gemidos e gritos estridentes de minh'alma
TE OFEREÇO MINHAS LÁGRIMAS DE GOZO
Para nosso sexo ser humano
Prazeroso
TE OFEREÇO DO MEU VINHO UM TRAGO
Trago do cigarro
TE OFEREÇO UM POUCO
Trago um desejo louco
De sorver-te...
Não posso me dar toda
TE OFEREÇO DE MIM UM POUCO
TE OFEREÇO UM TRAGO DO MEU CORPO
Um trago
TE OFEREÇO MEU OLHAR VENENOSO
Para que descubra a cura no meu riso solto
TE OFEREÇO MINHA DISPLICÊNCIA
Para te lembrar que nem sempre as boas coisas
da vida guardamos
ENTÃO, TE OFEREÇO UMA CHANCE:
Receba o que te ofereço
E de quebra,
NÃO ME ESQUEÇA!
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...historieta d'uma mulher de ribanceira de porto, um tanto diferente--------------------------------ribeira quente!
-----------------------------------------------umas querências
outras...
um certo desejo pelo atrevimento errado d'alguém que possa vir a me abordar, aportar em mim, quem sabe eu mesma me aporte aparte apenas no que sou soul: expectadora dos anseios mundanos, e não nem nada menos participante também da divina decadência comédia humana; ascendência arteira culturística romanesca.
ah! uma ribeirice emocional, boêmia, sensual! rediviva beira de rio, margem a margem das carências desta cidade berço, ardente Natal.
um porto bar, umas bandeiras, uma ex-lata, um bleckout, uma cigarreira, todos a ancorar e bebemorar... pretensão de poetar, textar pensamentos, passamentos crepusculares, ocasos acasos aos casos, nasceres, gerares... nem aos escombros, amores... não jazem minhas beiras jamais.
-------------------------------------------navegar em paqueras
que não existem ou não acontecem...
que bom! estou na beira, à beira de me encontrar, esbarrar por mim, me encantar e me inventar assim, tão anjo e cão: ribeira então!
sou.
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face
É
Uma calma estranha
E bem-aventurada em meu coração
Turbulento e romanesco...
¿Causa estranhês? O amor que apazigüa
As ansiedades e incendeia acelerando a pulsação...
Lapidada certeza bruta das emoções
Que emanam amor...
...E a essência ânima d'uma fênix novamente
Incorpora e abranda meu ser irrequieto...
Bate asas o coração alado...
Magnetismos unem ambas caras
E das metades fazem uma face
Ante a face de precipícios abismais
Não titubeio nem me estilhaço
Sempre presente em frente futuro...
....Tenho amor
E sei voar!
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ARRIBAR
Pros.Sigo estourada em ânsias
Tais rimas sem cadência estética
Nem mansas
Pro.Curo ao menos arrimar com
Arrojo e arroubo meu arrimo
Arguta
A própria de alcatéia escrevinha
Canhota o que vinha
Feito praga
De imã que rima rima
L e n g a l e n g a
Romanceiro a beira da aresta eira
Caótico despenhadeiro
Do nada
A dizer...¿
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transparências
Meu silêncio é minha mais autêntica loucura
e mais bruta sanidade.
Desse néctar posso doar meus sufocantes abraços, meus olhos quentes, minha pele salinizada, alma selvagem, meus beijos assexuados, calor violento, meu riso assustador e útil, meu prazer desconcertante, silêncio urgente!
Todas as respostas ao que possuo são inquietos silêncios vácuos; mesmo que outrens tantos pareçam se aproximar e se atrair ao deslumbre cáustico da minha crua realidade...
É rara a possibilidade de penetrar nessa essência que brota. Não sou minhas aparências. Nem remotos atrativos externos.
A transparência que sou é meu silêncio de ânima.
Há alguém que entenda?
Que aceite, entre, silencie e se deleite...
Que eu jamais me contenha! E que ao menos eu mesma seja "esse" alguém; sem enfeites.
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Pré vidência
Toscos improvisos de mim
Apreender momentos idos indo e por vir
Aprender com isso deleitado
Deleitando-me a cabo de dissipar leituras cruas elementares
Segmentadas e subjetivas
Obra em construção inacabada desconstrução
De signos, ismos, imagens e egos
Por assim ab-usar do suporte de escrita como expressão
Isto não se trata nem assada, nem tão poética assim
Mas, d'um gritante querer de continuação
Que'u nem suporte, poeta sem porte
Anseios em coalizão
Não quero o aclamar nem os podres tomates de outrens
Senão, o alívio urgente e são
De um parto... Isto independe aceitação
Sina de índole difusa, diversa, infantil, perversa.
Ambição poética de ser-se poeta
{mesmo que não seja} luxo ou lucro sê-la(¿)
A não ser alvo fácil “no front”
A mercê de pretensos árbitros pseudo-infalíveis
E crível, propensos a detonar essas pequenas ambições.
Como exemplo: eu ser poeta
Além dessa desejável liberação, ciente do risco de tornar-me vulnerável, sem dúvida, também sem medo algum de me revelar.
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RIMANCE
Sexy
Coma a minha boca e xeque-
Mate minha fome louca
cavalo, rei, bispo, pião.
Rasgo teus olhos "en passant"
Num beijo escaldante
No belvedere da torre de meu eu
Além do maior roque, tua língua.
Em uma teta régia... Minhas mãos atacantes não sei
Onde (?) Captura a ardência no sentido de todos os movimentos reais.
Entretece
-se nus corpos nossos
sós
Alívios d'amor incontido
E o xeque-mate é desculpa boa para deitar com o rei inimigo e fazer dele amante!
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[a] CULPA NÃO CABE
NA BAGAGEM
[a] CULPA PESA E É FALSA
O CAMINHO É LINEAR
MESMO AOS SOBRESSALTOS
DO DEVIR
AOS TRONCOS TORTOS DAS SELVAS
E AOS PEDREGULHOS DOS DESERTOS
...
BURACOS SÃO PORTAS
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Golfar poesia
Como quem goza e esporra
Como quem orgasma em gozo
Como quem sua e assume
Como quem grita e baba
Lapidar experimental
Como quem andarilha
Por destinos
Incertos
E arredios
Adeus à calma
Da lamparina o pavio
Da chama da vela a luz
Encontro certo
Com o que mascara e revela
Labaredas de fogueira interior
A se rebelar com o meio-dito
Meias palavras
E verdades
Meias...
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Flocos de neve
Vienense inverno
Temporada de amor
Invernal e celeste.
O calor que me aquece nesse frio de grau...
...zero
Não são roupas
Nem "os" sobre - tudo
Todo que seja...
Mas, o coração que arde em chamas e...
Brasa...me
O amor que toco...
Alexander amado...
Vienense...
Universal...
...natalense, quiçá?
...sou eu?
Mundi...
Artéria pulsante...
...em canto qualquer do mundo
Estéticas étnicas que sejam linguagens estas...
..Ich Spreche nicht Deutsch!
Frases e flocos que os ventos trazem...
...e minha poética parda não é nada!
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Ruminações------------------------------------------
abismo que ata e separa.
Anseios que espumam como água tocando em carbureto.
Como ventos que atiçam chamas óxidas.
...penduricalhos de emoções.
Discreta perturbação de maré baixa.
... Forno de barro o corpo humano se fez só.
O além, findado por limites da razão.
Comportas da alma, cerradas e umas outras arrombadas por---------------------------------------------
Vastos outros eus / mesma.
Inquebável véu que cada ser transporta...
Chaves confusas no molho dos segredos do espírito.
Todo ser se faz revelação / pois toda alma é plástica, ossos, aura, carne, emoções, plasma, excrementos e possessão.
Par'além de enigmático / sexo de lábios rubros e rósea cor.
A profunda visão dos confins dos desejos.
Prisma em chamas a crepitar.
É da raça a mais rica revelação.
O alicerce.
A própria essência sublime e absoluta da humana existência.
Dela é a mais pura, ofuscante e crua linhagem de iluminação.
Ser devoração e criação \ união e partilha...
Uma fêmea deseja e vai buscar.
É da beleza a mais bruta expressão.
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Solidão De Cacto Num Jardim Urbano
Úmido coração a rolar sem rumo
Sobre rachado barro
Chão d'um açude passado
Quisera ser gotas de orvalho ou chuva
O encarnado líquido que brota do coração
Que acaricia-se por entre cactos e raios de sol e seco ar
E, chora suave
E lentamente como quem sua...
Sangra.
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ETOPÉIA A GOSTO
Atemporal extemporâneo sentido que sigo
Saúda idades tidas, idas vindas
Além brandos ósculos viscerais
Matéreo etéreo
Somos no espaço de ser uno
Desejo imo amoroso de ser nó; emancipados nós
Álacres gotas selvagensuaves do humor segregado pelos olhos...
Teço texto entorpecente
Mente
Só
Brio exteriorizar venturoso querer
Ex-te rio
Risar bizarro que fruo
Minaz e apraz inteiro ser
Ter a se dar sentir
Belo e bélico arfar que se faz afeto
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ENOVIC – *O alto falante da raça
A-TIRADA
Sou suicida e ensandecida
Como um meteoro
Atiro-me ao escuro, ao muro, no esmeril, as noites
As bocas, ao mar, na rua, aos copos, a música,
as garoas e proas, aos raios de sol que me ofusca,
aos palcos e botecos, aos mundis...
Micros/ macros-fones
E auto falante/s
Arrisco-me a ser eu:
Disforme.
* Definição de Ciro Pedrosa
SAUDADE DE NADA
Completude e vácuo
Portância ânsia diletante
Desimportante
Missão sangrada
De invisível sangue a escorrer
D'alma [corpórea?]
Alegria contida pela cegueira
do dia - a - dia
Vibrante em meu ser livre
Odor de relva ao amanhecer
Suavizo-me sentindo a vida assim...
Divina
Como suo, como sou
Digna
E confiante de meu caminho
Percorrido e o a se trilhar
...Minha coragem não espanta nem a mim, nem aos meus
não-eus/não-meus Seres
...Se estou a favor de mim, quem deveria conspirar contra?
Que saia da minha boca esse gosto de azinhavre!
Que o cheiro bom da vida de mim exale!!!
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ELO
Tenho um frio ardente escaldante
E quero sempre teu calor gélido
Para fluir meu sangue e fruir teu sexo
Para brincar de amantes
\ de estranhos no primeiro encontro de corpos ao cio
Para romper minha veia
Solitária
E fazer teu solitário brilhar feito estrela
...Vai-se saturno - ficam-se os anéis
Vens de víeis \ lunático
E fico noturna \ não só
Como teu céu
MEU ROXO ROSTO
FOSCO FROUXO
FELINO E FERINO
ESTÁ CADA VEZ MAIS ROXO
E MEUS SEIOS E PESCOÇO
TÃO ROXOS
PELOS ROXOS ÓSCULOS
DOS MEUS DEUSES
OUTROS....
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Peludos
Encarnados
Grandes Lábios
Osculam
Molhados
Êxtases
Sublimes
Safados
A
Glande
Pulsante
Amada
SOU SEMPRE OUTRA
QUE NÃO A PRÓPRIA QUE ENCARNEI
NO ANCORADOURO
DO PRESENTE SER
OUTR'HORA
T R A N S B O R D A N D O E M V A Z I O
A SECURA NOS OLHOS
DE ALMA QUE NÃO LACRIMA
ARDOR DISPERSO POR TODO O CORPO
AO TEMPO MESMO EM QUE É DORMENTE
A SEMENTE POÉTICA DO NÃO-SER
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Ás
Minha tez
Como esse suporte
Esse óxido
Esse ácido
Minha mente ácida
Como esse aço
Como espirais
Como ópio
Meu âmago absorto
Como esse azo
Como essa liga
Minha alma urge
Em lusco-fusco
A mercê da ferrugem
Minha poética oxidada
Como o luxo desta chapa
Como esse lixo
E sigo na lida
De a cada era
Me fazer polida
Que agora é o artifício teia
Que me inspira
E suporta o enferrujado poema
Que me deu a ventania e o mar
A maresia
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TRAGO BEIJOS
AOS TRAGOS TEUS
PÊLOS, TEZ, CHEIROS...
TRAGO TUDO TEU
QUALQUER TRAGO
TRAZ-ME AOS DESEJOS
TEUS
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Tu me CHAMA
Ardo
Queimo
E o que resta é cinza
Um amor, um desejo...
Um prazer que se vai...
...e s vai...se
Que fica dentro
Em minha essência
Em mente, espírito, corpo, sexo, coração
Em mim toda
Presente passado
Quiçá futuro[?]
É bom ser labaredas
De vez em quando, meu bem!!
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------------------Conheço a solidão e os seus possíveis
A solidão que aflige e que sufoca.
A solidão que apazigua e alivia.
Uma desejada.
Outra que ataca---------------------
O sol Natal de minha terra
Arde
Quente... Quente...
E não me aquece o coração.
Minha alma arde
Quentura ardente.
Desejo encontro
Marcado marcante.
Com minha outra parte
Meu amante.
Calor gritante tenho.
Quero silêncio quente.
Gélida distância tenho.
Quero encontro ardente.
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Florestas de arranha-céus
Galhos secos, poeira no ar...
Arfam os pulmões, na selva ou na sala
Rufam tambores
Durante a madrugada...
Sussurros, desejos e segredos desmascarados
Do mais aparentemente áspero
Íntimo
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espuma aos pés
-------------------pegadas marcadas na areia da praia d’alma.
mais solitária alma que abandonada beleza.
contemplativo e desértico olhar.
a todos os verdes do mar ------------------------
imensidão de amor e solidão.
possibilidades além-mar (...)
horizontes às sombras de toda possível--------
---------------impossibilidade de me encontrar
sem falta!
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As Pessoas Podem Ser Anjos
OU PURO DESENCANTO
PÚRPURO ENCONTRO
UM CAMINHO DE PEDRAS
NUS PÉS EM PASSOS
UMA MENTE CACTO
CAATINGA
CREPUSCULAR OS OLHOS
GARGANTA DA RAZÃO
PODER SER ANJO
DIFERENTE
E NÃO!
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Todas As Eras-------------------É
ERA PRIMITIVA
A Emoção
ERA CRISTÃ
Madalena
E Eu Não
ERA HISTÓRICA
A Civilização
ERA BÁRBARA
A Aldeia
ERA HERA
A Mãe De Todos
E ERA HERA
A Planta Do Muro
ERA GLOBAL
A Fase No Mundo
ERA ESPACIAL
A Mente
ERA GLACIAL
O Coração
ERA AQUÁRIO
Os Olhos
E ERA PEIXE
O Alimento
do Dia.
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O ETERNO DESTROÇO DO EGO
O QUE SERIA FILOSOFIA
LEMBRANÇAS DO CÁRCERE CARNAL
CARÊNCIA FOME
H U M A N A V I D A
A ESPERA D’UM RETORNO SEM IDA
UM AMARGO TRAGO DO PRÓPRIO FEL
UM ENGASGO NA PARTIDA
UM FURO NO CÉREBRO E NO CÉU
[De Meus Dias]
UM ESCAPE SIMULADO
VEIAS MINADAS DA DESCENDÊNCIA
SANGUES ESTANCADOS
OU
TRANSCENDIDOS
SANGUE JORRADO POR VULVA
OU
NARINA
ORIFÍCIOS EXATOS
DE
VITAL ENGENHARIA
FUROR DE MISSÃO AINDA INCUMPRIDA
E
A IMPRÓPRIA CERTEZA
DA
ILUMINAÇÃO DEVIDA
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Cada sombra uma vida
Todo vulto por um triz
Um postal de saintropéz
Ou será de acarí?
Nos escombros uma estrela
Na palma da mão minhas trilhas
Guardar sóis para amanhã
Uma cortina de veludo encarnado a se abrir
Desfocos loucos da persona
A luz da lua a me lamber
Banho-me em espumas de champanhe
Ou serão ondas praianas a me engolir?
Oceânico espelho de meus céus
Uma poética em escarcéus
Uma bula a se infringir
Um bulevar a se passar
Umas brumas a me embrenhar
Um brilho a alcançar
Uma rima a ruir...
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Meus Sentimentos
Encurralados
Num Beco
Da Lama
Sem Saída
Qualquer De Você.
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VINDA VIDA
INDA IDA
VINDA MORTE
INDA MOR(R)IDA
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.OLHO descalço do lado DE FORA
DE FORA espreito tudo com CISMAS
CISMAS na pia suja do bar ACIMA
ACIMA o espelho VELHO
VELHO cisco no OLHO.
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Leitura Reticente
No varal estendida a alma...
...uma terceira idade na prisão de laços atados num pretérito pretenso futuro insosso...
Um escorpião assassinado antes do possível suicídio...
...besouros e mosquitos de espécies várias...
Um bambuzal em ascensão...
...um cristo na cruz ateado...
Cadeados abertos sob o céu estrelado...
Não arengo mais nem com a rima nem com arames farpados...
...eucaliptos pomposos dão o tom dos tempos e a plástica de seus troncos se faz abstratas e surreais...
Um ninho de gatos num canto acoado...
...ninhos abandonados de pássaros passados...
Cigarras granjeiam com seus cantos exaltados e as palhas dos coqueiros pelejam sem remanso em seu bailado...
Temo e tenho que admitir enfim que a rima em minhas sangradas escrituras para sempre irão persistir...
Miséria estética ou retórica? Rima pobre ou rica rima?
...conhecimentos não tenho para definir; certamente só sei do que vem de mim assim... por vir.
Rimo e fim/ns (?).
..................................um retiro frugal, fugaz e apraz...
...um sono maneiro e uma aura lilás, azul, ensolarada, areada, regada, enevoada e clara.
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E
SCREVOLETRAS
GRAAL ALMÁTICAS
E ÉTICAS EM PÓ
ESSÊNCIA ARTEIRA
ESQUINA MUNDANATAL
AMAR ELO CARNE
NERVURAS TISN’ENCARDIDAS
SULCO ENCARNADO
JORRAMESPICHAM
DO BICO DA TETA
DA MENINA DOS OLHOS
DA JUGULAR ARTEIRA
DO BURACO DO UMBIGO DESENTUPIDO
DO ESCRITO.
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Em 01 de junho de 1996 falece Civone Maria de Medeiros, aos 24 anos, amargamente assassinada por seu amante em Natal, Rio Grande do Norte. Tudo que deixou foi por meio d'um inventário, a seguir:
INVENTÁRIO D'UMA MORTA
1. Deixo minhas explosões para estourarem nas mãos dos covardes...
2. Dou minhas vestes ao forno do lixo.
3. Minhas estórias e histórias malescritas para serem cremadas como se fossem minha alma e minhas carnes....
4. Minha contentice triste levo comigo.
5. Minha alma tantas vezes roubada em fotos, deixo-as aos cegos do mundo.
6. O brilho do meu olhar deixo para que a lua o guarde...
7. Meu jeito non-sense e non-grata quero manter em seu comum lugar: o esquecimento.
8. Todas as minhas ressacas deixo ao vasto mar.
9. Meus mênstruos, que se espalhem e penetrem na pele dos falsos....
10. Minha doçura, que se afogue em terras de canaviais.
11. Minhas inconveniências, que fiquem com os canalhas...
12. O amor que havia em mim, cedo aos vazios e céticos; e o meu sexo ardente entrego aos frívolos...
13. Meus trêmulos nervos de angústia, gozo e repulsa dou aos vermes.
14. O que não há de belo em mim deixo aos conhecidos e estranhos...
15. As minhas lágrimas passadas sejam sempre um presente de alívio aos descrentes.
16. Aos meus sonhos decreto alforria...
17. Minha companheira, a solidão, peço que me acompanhe.
18. E a minha fragrância natural, que exale sedutora entre as narinas dos que me esquecerem...
19. Que eu não me lembre que quando dei por mim.......... mataram-me.
E só depois descobri.
20. Que esse "inventário" não passe d'uma amarga invenção semidramática e quase desnecessária....
P.S.: Que bom que ela é fênix!!!! Atualmente aos 27 anos, renascida por seu amor próprio e por intermédio d’um novo e autêntico amor; sabe que a estas mortes sempre sobreviverá seu coração amoroso.
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Sangra feito regra
Artéria arteira visceral
Entranhas d’alma
Arte ara e rega
Vibra mutante / incendiária e enxurrada d’água
Cio desregra certeiro o destino de quem arde...
Emoção
...Sensitividade
Ara e sangra o coração cético emotivo
Que pulsa em corpo
Escrituras psicografadas, aradas, ardis, silentes, febris, gritantes, serenas...
Sangradas emanações que de minhas visões e vivências brotam.
Sou toda artéria, aorta a arte.
Artéria da alma do mundo, águia...
Vibro!
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Ab-sinto...
Cair em cachos.
À eira, à guisa d’uma cachoeira.
Tequila...
Sal, limão, etílica comunhão.
Vinho...
Vem um sono bom.
Vem-me Bacante, uma d’elas que sou.
Baco? São.
Ver-mute...
Mutantencarnado, róseo.
Na passagem: “mezzo” rasgante.
Na chegada: suave.
Que lida! Uma sede na partida.
Cerveja...
Refrescante para a sede urgente.
Veja! Há tantos goles pr’um porre.
E para lavar? Mansamente.
Cachaça...
Na calçada ou num boteco.
Um caju no “tira”.
- Mais uma lapada!?! ...o eco.
No NAZI uma meladinha...
A pinga, o mel, o limão, gira e mexe.
D’um só gole desce.
- Que poesia sóbria é a minha?
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Sangra da sinistra / amotras
Espicha artéria / desmanche em sangue
Multicor olor dor odor ardor amor
Sangra sangrações / rezas pagãs
Recorrente / sonora destoante
Ríspida sonoridade / idade vã
Arde ao atear-se arte
Infla amável véu translúdico
Hermética / hibrid’alma
Luz de templo
Grinalda amálgama / intimidades d’altar
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Cheiro de pedra em meu
Coração impostor
Quentura de renascer aos
Poucos por mim
Tenho agora um coração
Livre
Ora frio, cego, inda
Bruto
Pulsar ávido por horiz
Ontes outrora
Lapidado a sangue lágr
Imas
Absorta e imune pela
Perdição que me faz essa
Liberdade
Estou alheia a ser fêmea
.......E as carências de assim se ser
Me atenho tão somente
A especulação psíquica
De todas essas possíveis
Emoções
E não sei se vivo d’outro
Modo
Para além deste espectro
Mundo fantasia que dou
Cria
E luz
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Neste dia, longa é à noite
Curtos só meus pêlos e apelos
[não borbulho como champanhe]
...Aquele orgasmo encardiu a bandeira de paz de anil que estendi estuquiada no varal
Íris arco!
Há uma falta de silêncio em meu sexo côncavo
...Só hiatos de solidão há!
e
Encontros furtivos convexos
Há um estridente grito em meu corpo parco
...Não o ouço
O que não vem do porto
Não me é parte
Nem pertence só aos Deuses...
...Foi-se o tempo noite
Amolo foices e adagas ao amanhecer
e antes que venha a noitice
Fico a lambê-las com uma tesão tanta
Como se teu corpo fosse
Homem Felino Maroto
Menino Deus Pagão
Quero-te sempre entre madrugada noite
...Armo e amo em moitas e crateras
Em cena e em camarins
Poços e mirantes
Em asfaltos, mangues e ribanceiras
Basta que um vivente corpo encontre...
Então, apeteço, devoro
...Entrego o ouro e os diamantes
Sugo, apaziguo e como fonte de amor,
Jorro!
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PASSEIO A PONTE POTENGI
UM SONHO DE POR DO SOL
RAIAR REVERENCIAL LITORAL
PAIOL DE BOMBAS E ANSEIOS A SE DETONAR...
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...Esculhambo meu opúsculo
Nunca me concluo...
Terei outras vidas
Serei cadáveres outros
Comerei muitas poeiras...
Terei muitas estrelas
Devoro minha nobreza,
as misérias, a poética,
as entranhas e exponho
à livre feira dos mortos vivos...
...Nunca me concluo
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RUDE POESIA
COMO GATA MIA
NO ASFALTO FUMACENTO
QUE RESPINGA GOTAS CRUAS
CHUVISCOS DE VERÃO PASSAR
O LIMBO A LIMPO PALAVRAS
SEM CRIAS
grunhia
A VIA NEM HAVIA
MEU CONTEXTO PARÁFRASE
mia
M u l h e r
Grita e Rouca-se
Ri e Leve-se
Pensa e Texta-se
Chora e Seca-se
Lambe e Molha
Morde e Marca
Fuma e Baga
Sua e Lava-se
CICLO E SANGUE
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DESTINO iça velas
Desatracada ÂNCORA
Correntezas, correntes de ar, atlântico
Corta entre-mares / afluentes
nem o Danúbio nem o Potengi são azuis
as Veias = os Rios
Rios Grandes
espaçosos na memória
guardo a imagem de crepúsculo sobre o Potengi
... as valsas de Tonheca Dantas
céu de âmbar flamejante
cinza verde lodo Donau / Danúbio
Dúbio prazer em VER ora Outonal
...céu d’azul luzente
valsas vienenses
Próximo porto taça de “sekt” beijo espumante
Sina de emoções fluentes cheias de sangue veias ventos nas costas andejas...
estratégias de xadrês pulsação d’amor...
respiração inspiração transpiração
e a discreta Primaveva do lado hemisférico de cá
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À Si...
ONDE GUARDAR?
ONDE PRENDER?
COMO NEGAR OU ESCONDER?
...OS BEIJOS QUE TENHO PARA BEIJAR
O QUE FAZER?
TRANSGREDIR?
OU CONTER?
O QUE BEIJAR?
...SE NÃO TUA BOCA?
A VONTADE LOUCA É DE TE TOCAR...
O QUE QUERER?
...SE NÃO TE TER NA MINHA BOCA?
E MATAR LOGO-LOGO
...ESSA SEDE QUE ME DEIXA ROUCA
...ESSA SEDE TANTA
...ESSA SEDE LOUCA
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NATAL DA GEMA
GEMA POÉTICA
GÊIZER NATAL
GÊIZER POÉTICA
GEMA NATAL
BADALADEIRA
ATIRO PEDRAS
NO SEU QUINTAL
DA BALADEIRA
FAÇO A ZOADA
NA LADEIRA DA TAL
COQUEIRAL À GUISA D’UMA EMBOLADA
FONTE DO COCO
A AGUAR TOADAS
BALANÇO ZUEIRA
GAZUA GANZÁ
PRAIEIRA USINA
GAZEL MARACÁ
BADALO A BEIRA DO MANGUESAL
DA BALADEIRA
ATIRO PEDRAS
LÁ NA RIBEIRA
PUXO A TOADA
CANTO NATAL
COQUEIROS À GUISA D’UM COQUEIRAL
FONTE DE ZAMBÊ
O COCO – DO – NATAL
GÊIZER POÉTICA
GEMA NATAL
GEMA POÉTICA
GÊIZER NATAL
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ELAS
Alice me alicia
E Clarice me disse: visse como a vida vicia?
Silvia Plath rebate: visse que a vida é poética, é arte?
Janis me canta: visse que a deprê, o prazer, a dor, o amor é o que a vida encanta?
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MAMIFERANTROPO
LUX A MOR VITA
O FUTURO VINDO
CRESCE
MEXE SENTE
ENCHE MEUS SEIOS
MAIS TESUDOS
DESDE ENTÃO
TÃO BELO E BIZARRO
TÃO DENTRO ASSIM
DE MIM
OUTRA VIDA
PULSANTE
EXCITADA E
CRESCENTE
SEMENTE
PRÓ-CRIADA
POR NÓS
AMANTES
TÃO CEDO SUA
CHEGADA
FELIZ
MELHOR QUE
ANTES
TORNO-ME
FORTALEZA
INSTINTOS ANIMAIS
AFLORAM
SUA ESSÊNCIA
EM MIM
MAMIFERANTROPO
REALEZA
REALAMOR
REALIZAÇÃO FEMINA
HUMANA
DE CONCEPÇÃO VITAL
AMO MINHA BIANCA FILHA
AMO AINDA MAIS A VIDA
1994, Para minha filha Bianca.

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