Faço minha a necessidade do Artur Bispo do Rosário:

"Eu preciso / dEstas PaLavras / Escritas!"

Sou(L) também ESTA'MIRA:

"A minha carne, o sangue, é indefesa, como a Terra; mas eu, a minha áurea não é indefesa não. Se queimar os espaço todinho, e eu tô no meio, pode queimar, eu tô no meio, invisível. Se queimar meu sentimento, minha carne, meu sangue, se for pra o bem, se for pra verdade, pra o bem, pela lucidez de todos os seres, pra mim pode ser agora, nesse segundo, e eu agradeço ainda."

...@ PraZer é Noss@:

"Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lid@ é um prazer superficial.
Virginia Woolf

...E, inspirada em Frida Khalo:
"NUNCA ESCREVI MEUS SONHOS. / ESCREVO MINHA PRÓPRIA REALIDADE!
[c.m]"

CADERNO de POEMAS #1

Escrituras Sangradas de Civone Medeiros

Toscas Fatias de Escrevinhaduras

1999

~~~

Dedicado

à

Meus Pais, Maria Ivone e Cícero Lourenço;

Bianca, minha filha amada;

GHAP – Grupo Habeas-Corpus Potiguar;

SPVA – Sociedade dos Poetas Vivos e Afins/RN;

~~~

Em Homenagem

à

Fernando [tantas] Pessoas;

Clarice Lispector;

Allen Guinsberg;

Bosco Lopes;

Edgar Borges [Blackout].

~~~

VOCÊ, LEITOR

Você, leitor, que pulsa

de vida e orgulho e amor,

assim como eu:

Para você, por isso,

Os cantos que aqui seguem!

Walt Whitman

~~~

OFERTÓRIO

TE OFEREÇO MEU CAFÉ AMARGO

Para que você possa distinguir o agridoce

de meus beijos cálidos

TE OFEREÇO MINHA EBRIEDADE

Para que você possa gozar de minha lúdica lucidez

TE OFEREÇO MEU ORGASMO SILENTE

Para que ouça os gemidos e gritos estridentes de minh'alma

TE OFEREÇO MINHAS LÁGRIMAS DE GOZO

Para nosso sexo ser humano

Prazeroso

TE OFEREÇO DO MEU VINHO UM TRAGO

Trago do cigarro

TE OFEREÇO UM POUCO

Trago um desejo louco

De sorver-te...

Não posso me dar toda

TE OFEREÇO DE MIM UM POUCO

TE OFEREÇO UM TRAGO DO MEU CORPO

Um trago

TE OFEREÇO MEU OLHAR VENENOSO

Para que descubra a cura no meu riso solto

TE OFEREÇO MINHA DISPLICÊNCIA

Para te lembrar que nem sempre as boas coisas

da vida guardamos

ENTÃO, TE OFEREÇO UMA CHANCE:

Receba o que te ofereço

E de quebra,

NÃO ME ESQUEÇA!

~~~

...historieta d'uma mulher de ribanceira de porto, um tanto diferente--------------------------------ribeira quente!

-----------------------------------------------umas querências

outras...

um certo desejo pelo atrevimento errado d'alguém que possa vir a me abordar, aportar em mim, quem sabe eu mesma me aporte aparte apenas no que sou soul: expectadora dos anseios mundanos, e não nem nada menos participante também da divina decadência comédia humana; ascendência arteira culturística romanesca.

ah! uma ribeirice emocional, boêmia, sensual! rediviva beira de rio, margem a margem das carências desta cidade berço, ardente Natal.

um porto bar, umas bandeiras, uma ex-lata, um bleckout, uma cigarreira, todos a ancorar e bebemorar... pretensão de poetar, textar pensamentos, passamentos crepusculares, ocasos acasos aos casos, nasceres, gerares... nem aos escombros, amores... não jazem minhas beiras jamais.

-------------------------------------------navegar em paqueras

que não existem ou não acontecem...

que bom! estou na beira, à beira de me encontrar, esbarrar por mim, me encantar e me inventar assim, tão anjo e cão: ribeira então!

sou.

~~~

face

É

Uma calma estranha

E bem-aventurada em meu coração

Turbulento e romanesco...

¿Causa estranhês? O amor que apazigüa

As ansiedades e incendeia acelerando a pulsação...

Lapidada certeza bruta das emoções

Que emanam amor...

...E a essência ânima d'uma fênix novamente

Incorpora e abranda meu ser irrequieto...

Bate asas o coração alado...

Magnetismos unem ambas caras

E das metades fazem uma face

Ante a face de precipícios abismais

Não titubeio nem me estilhaço

Sempre presente em frente futuro...

....Tenho amor

E sei voar!

~~~

ARRIBAR

Pros.Sigo estourada em ânsias

Tais rimas sem cadência estética

Nem mansas

Pro.Curo ao menos arrimar com

Arrojo e arroubo meu arrimo

Arguta

A própria de alcatéia escrevinha

Canhota o que vinha

Feito praga

De imã que rima rima

L e n g a l e n g a

Romanceiro a beira da aresta eira

Caótico despenhadeiro

Do nada

A dizer...¿

~~~

transparências

Meu silêncio é minha mais autêntica loucura

e mais bruta sanidade.

Desse néctar posso doar meus sufocantes abraços, meus olhos quentes, minha pele salinizada, alma selvagem, meus beijos assexuados, calor violento, meu riso assustador e útil, meu prazer desconcertante, silêncio urgente!

Todas as respostas ao que possuo são inquietos silêncios vácuos; mesmo que outrens tantos pareçam se aproximar e se atrair ao deslumbre cáustico da minha crua realidade...

É rara a possibilidade de penetrar nessa essência que brota. Não sou minhas aparências. Nem remotos atrativos externos.

A transparência que sou é meu silêncio de ânima.

Há alguém que entenda?

Que aceite, entre, silencie e se deleite...

Que eu jamais me contenha! E que ao menos eu mesma seja "esse" alguém; sem enfeites.

~~~

Pré vidência

Toscos improvisos de mim

Apreender momentos idos indo e por vir

Aprender com isso deleitado

Deleitando-me a cabo de dissipar leituras cruas elementares

Segmentadas e subjetivas

Obra em construção inacabada desconstrução

De signos, ismos, imagens e egos

Por assim ab-usar do suporte de escrita como expressão

Isto não se trata nem assada, nem tão poética assim

Mas, d'um gritante querer de continuação

Que'u nem suporte, poeta sem porte

Anseios em coalizão

Não quero o aclamar nem os podres tomates de outrens

Senão, o alívio urgente e são

De um parto... Isto independe aceitação

Sina de índole difusa, diversa, infantil, perversa.

Ambição poética de ser-se poeta

{mesmo que não seja} luxo ou lucro sê-la(¿)

A não ser alvo fácil “no front”

A mercê de pretensos árbitros pseudo-infalíveis

E crível, propensos a detonar essas pequenas ambições.

Como exemplo: eu ser poeta

Além dessa desejável liberação, ciente do risco de tornar-me vulnerável, sem dúvida, também sem medo algum de me revelar.

~~~

RIMANCE

Sexy

Coma a minha boca e xeque-

Mate minha fome louca

cavalo, rei, bispo, pião.

Rasgo teus olhos "en passant"

Num beijo escaldante

No belvedere da torre de meu eu

Além do maior roque, tua língua.

Em uma teta régia... Minhas mãos atacantes não sei

Onde (?) Captura a ardência no sentido de todos os movimentos reais.

Entretece

-se nus corpos nossos

sós

Alívios d'amor incontido

E o xeque-mate é desculpa boa para deitar com o rei inimigo e fazer dele amante!

~~~

[a] CULPA NÃO CABE

NA BAGAGEM

[a] CULPA PESA E É FALSA

O CAMINHO É LINEAR

MESMO AOS SOBRESSALTOS

DO DEVIR

AOS TRONCOS TORTOS DAS SELVAS

E AOS PEDREGULHOS DOS DESERTOS

...

BURACOS SÃO PORTAS

~~~

Golfar poesia

Como quem goza e esporra

Como quem orgasma em gozo

Como quem sua e assume

Como quem grita e baba

Lapidar experimental

Como quem andarilha

Por destinos

Incertos

E arredios

Adeus à calma

Da lamparina o pavio

Da chama da vela a luz

Encontro certo

Com o que mascara e revela

Labaredas de fogueira interior

A se rebelar com o meio-dito

Meias palavras

E verdades

Meias...

~~~

Flocos de neve

Vienense inverno

Temporada de amor

Invernal e celeste.

O calor que me aquece nesse frio de grau...

...zero

Não são roupas

Nem "os" sobre - tudo

Todo que seja...

Mas, o coração que arde em chamas e...

Brasa...me

O amor que toco...

Alexander amado...

Vienense...

Universal...

...natalense, quiçá?

...sou eu?

Mundi...

Artéria pulsante...

...em canto qualquer do mundo

Estéticas étnicas que sejam linguagens estas...

..Ich Spreche nicht Deutsch!

Frases e flocos que os ventos trazem...

...e minha poética parda não é nada!

~~~

Ruminações------------------------------------------

abismo que ata e separa.

Anseios que espumam como água tocando em carbureto.

Como ventos que atiçam chamas óxidas.

...penduricalhos de emoções.

Discreta perturbação de maré baixa.

... Forno de barro o corpo humano se fez só.

O além, findado por limites da razão.

Comportas da alma, cerradas e umas outras arrombadas por---------------------------------------------

Vastos outros eus / mesma.

Inquebável véu que cada ser transporta...

Chaves confusas no molho dos segredos do espírito.

Todo ser se faz revelação / pois toda alma é plástica, ossos, aura, carne, emoções, plasma, excrementos e possessão.

Par'além de enigmático / sexo de lábios rubros e rósea cor.

A profunda visão dos confins dos desejos.

Prisma em chamas a crepitar.

É da raça a mais rica revelação.

O alicerce.

A própria essência sublime e absoluta da humana existência.

Dela é a mais pura, ofuscante e crua linhagem de iluminação.

Ser devoração e criação \ união e partilha...

Uma fêmea deseja e vai buscar.

É da beleza a mais bruta expressão.

~~~

Solidão De Cacto Num Jardim Urbano

Úmido coração a rolar sem rumo

Sobre rachado barro

Chão d'um açude passado

Quisera ser gotas de orvalho ou chuva

O encarnado líquido que brota do coração

Que acaricia-se por entre cactos e raios de sol e seco ar

E, chora suave

E lentamente como quem sua...

Sangra.

~~~

ETOPÉIA A GOSTO

Atemporal extemporâneo sentido que sigo

Saúda idades tidas, idas vindas

Além brandos ósculos viscerais

Matéreo etéreo

Somos no espaço de ser uno

Desejo imo amoroso de ser nó; emancipados nós

Álacres gotas selvagensuaves do humor segregado pelos olhos...

Teço texto entorpecente

Mente

Brio exteriorizar venturoso querer

Ex-te rio

Risar bizarro que fruo

Minaz e apraz inteiro ser

Ter a se dar sentir

Belo e bélico arfar que se faz afeto

~~~

ENOVIC – *O alto falante da raça

A-TIRADA

Sou suicida e ensandecida

Como um meteoro

Atiro-me ao escuro, ao muro, no esmeril, as noites

As bocas, ao mar, na rua, aos copos, a música,

as garoas e proas, aos raios de sol que me ofusca,

aos palcos e botecos, aos mundis...

Micros/ macros-fones

E auto falante/s

Arrisco-me a ser eu:

Disforme.

* Definição de Ciro Pedrosa

~~~

SAUDADE DE NADA

Completude e vácuo

Portância ânsia diletante

Desimportante

Missão sangrada

De invisível sangue a escorrer

D'alma [corpórea?]

Alegria contida pela cegueira

do dia - a - dia

Vibrante em meu ser livre

Odor de relva ao amanhecer

Suavizo-me sentindo a vida assim...

Divina

Como suo, como sou

Digna

E confiante de meu caminho

Percorrido e o a se trilhar

...Minha coragem não espanta nem a mim, nem aos meus

não-eus/não-meus Seres

...Se estou a favor de mim, quem deveria conspirar contra?

Que saia da minha boca esse gosto de azinhavre!

Que o cheiro bom da vida de mim exale!!!

~~~

ELO

Tenho um frio ardente escaldante

E quero sempre teu calor gélido

Para fluir meu sangue e fruir teu sexo

Para brincar de amantes

\ de estranhos no primeiro encontro de corpos ao cio

Para romper minha veia

Solitária

E fazer teu solitário brilhar feito estrela

...Vai-se saturno - ficam-se os anéis

Vens de víeis \ lunático

E fico noturna \ não só

Como teu céu

~~~

MEU ROXO ROSTO

FOSCO FROUXO

FELINO E FERINO

ESTÁ CADA VEZ MAIS ROXO

E MEUS SEIOS E PESCOÇO

TÃO ROXOS

PELOS ROXOS ÓSCULOS

DOS MEUS DEUSES

OUTROS....

~~~

Peludos

Encarnados

Grandes Lábios

Osculam

Molhados

Êxtases

Sublimes

Safados

A

Glande

Pulsante

Amada

~~~

SOU SEMPRE OUTRA

QUE NÃO A PRÓPRIA QUE ENCARNEI

RÉSTIA POUCA

NO ANCORADOURO

DO PRESENTE SER

OUTR'HORA

T R A N S B O R D A N D O E M V A Z I O

A SECURA NOS OLHOS

DE ALMA QUE NÃO LACRIMA

ARDOR DISPERSO POR TODO O CORPO

AO TEMPO MESMO EM QUE É DORMENTE

A SEMENTE POÉTICA DO NÃO-SER

~~~

Ás

Minha tez

Como esse suporte

Esse óxido

Esse ácido

Minha mente ácida

Como esse aço

Como espirais

Como ópio

Meu âmago absorto

Como esse azo

Como essa liga

Minha alma urge

Em lusco-fusco

A mercê da ferrugem

Minha poética oxidada

Como o luxo desta chapa

Como esse lixo

E sigo na lida

De a cada era

Me fazer polida

Que agora é o artifício teia

Que me inspira

E suporta o enferrujado poema

Que me deu a ventania e o mar

A maresia

~~~

TRAGO BEIJOS

AOS TRAGOS TEUS

PÊLOS, TEZ, CHEIROS...

TRAGO TUDO TEU

QUALQUER TRAGO

TRAZ-ME AOS DESEJOS

TEUS

~~~

Tu me CHAMA

Ardo

Queimo

E o que resta é cinza

Um amor, um desejo...

Um prazer que se vai...

...e s vai...se

Que fica dentro

Em minha essência

Em mente, espírito, corpo, sexo, coração

Em mim toda

Presente passado

Quiçá futuro[?]

É bom ser labaredas

De vez em quando, meu bem!!

~~~

------------------Conheço a solidão e os seus possíveis

A solidão que aflige e que sufoca.

A solidão que apazigua e alivia.

Uma desejada.

Outra que ataca---------------------


O sol Natal de minha terra

Arde

Quente... Quente...

E não me aquece o coração.

Minha alma arde

Quentura ardente.

Desejo encontro

Marcado marcante.

Com minha outra parte

Meu amante.

Calor gritante tenho.

Quero silêncio quente.

Gélida distância tenho.

Quero encontro ardente.

~~~

Florestas de arranha-céus

Galhos secos, poeira no ar...

Arfam os pulmões, na selva ou na sala

Rufam tambores

Durante a madrugada...

Sussurros, desejos e segredos desmascarados

Do mais aparentemente áspero

Íntimo

~~~

espuma aos pés

-------------------pegadas marcadas na areia da praia d’alma.

mais solitária alma que abandonada beleza.

contemplativo e desértico olhar.

a todos os verdes do mar ------------------------

imensidão de amor e solidão.

possibilidades além-mar (...)

horizontes às sombras de toda possível--------

---------------impossibilidade de me encontrar

sem falta!

~~~

As Pessoas Podem Ser Anjos

OU PURO DESENCANTO

PÚRPURO ENCONTRO

UM CAMINHO DE PEDRAS

NUS PÉS EM PASSOS

UMA MENTE CACTO

CAATINGA

CREPUSCULAR OS OLHOS

GARGANTA DA RAZÃO

PODER SER ANJO

DIFERENTE

E NÃO!

~~~

Todas As Eras-------------------É

ERA PRIMITIVA

A Emoção

ERA CRISTÃ

Madalena

E Eu Não

ERA HISTÓRICA

A Civilização

ERA BÁRBARA

A Aldeia

ERA HERA

A Mãe De Todos

E ERA HERA

A Planta Do Muro

ERA GLOBAL

A Fase No Mundo

ERA ESPACIAL

A Mente

ERA GLACIAL

O Coração

ERA AQUÁRIO

Os Olhos

E ERA PEIXE

O Alimento

do Dia.

~~~

O ETERNO DESTROÇO DO EGO

O QUE SERIA FILOSOFIA

LEMBRANÇAS DO CÁRCERE CARNAL

CARÊNCIA FOME

H U M A N A V I D A

A ESPERA D’UM RETORNO SEM IDA

UM AMARGO TRAGO DO PRÓPRIO FEL

UM ENGASGO NA PARTIDA

UM FURO NO CÉREBRO E NO CÉU

[De Meus Dias]

UM ESCAPE SIMULADO

VEIAS MINADAS DA DESCENDÊNCIA

SANGUES ESTANCADOS

OU

TRANSCENDIDOS

SANGUE JORRADO POR VULVA

OU

NARINA

ORIFÍCIOS EXATOS

DE

VITAL ENGENHARIA

FUROR DE MISSÃO AINDA INCUMPRIDA

E

A IMPRÓPRIA CERTEZA

DA

ILUMINAÇÃO DEVIDA

~~~

Cada sombra uma vida

Todo vulto por um triz

Um postal de saintropéz

Ou será de acarí?

Nos escombros uma estrela

Na palma da mão minhas trilhas

Guardar sóis para amanhã

Uma cortina de veludo encarnado a se abrir

Desfocos loucos da persona

A luz da lua a me lamber

Banho-me em espumas de champanhe

Ou serão ondas praianas a me engolir?

Oceânico espelho de meus céus

Uma poética em escarcéus

Uma bula a se infringir

Um bulevar a se passar

Umas brumas a me embrenhar

Um brilho a alcançar

Uma rima a ruir...

~~~

------------------Silêncio Sem Rumo.

Meus Sentimentos

Encurralados

Num Beco

Da Lama

Sem Saída

Qualquer De Você.

~~~

VINDA VIDA

INDA IDA

VINDA MORTE

INDA MOR(R)IDA

~~~

.OLHO descalço do lado DE FORA

DE FORA espreito tudo com CISMAS

CISMAS na pia suja do bar ACIMA

ACIMA o espelho VELHO

VELHO cisco no OLHO.

~~~

Leitura Reticente

No varal estendida a alma...

...uma terceira idade na prisão de laços atados num pretérito pretenso futuro insosso...

Um escorpião assassinado antes do possível suicídio...

...besouros e mosquitos de espécies várias...

Um bambuzal em ascensão...

...um cristo na cruz ateado...

Cadeados abertos sob o céu estrelado...

Não arengo mais nem com a rima nem com arames farpados...

...eucaliptos pomposos dão o tom dos tempos e a plástica de seus troncos se faz abstratas e surreais...

Um ninho de gatos num canto acoado...

...ninhos abandonados de pássaros passados...

Cigarras granjeiam com seus cantos exaltados e as palhas dos coqueiros pelejam sem remanso em seu bailado...

Temo e tenho que admitir enfim que a rima em minhas sangradas escrituras para sempre irão persistir...

Miséria estética ou retórica? Rima pobre ou rica rima?

...conhecimentos não tenho para definir; certamente só sei do que vem de mim assim... por vir.

Rimo e fim/ns (?).

..................................um retiro frugal, fugaz e apraz...

...um sono maneiro e uma aura lilás, azul, ensolarada, areada, regada, enevoada e clara.

~~~

E

SCREVOLETRAS

GRAAL ALMÁTICAS

E ÉTICAS EM PÓ

ESSÊNCIA ARTEIRA

ESQUINA MUNDANATAL

AMAR ELO CARNE

NERVURAS TISN’ENCARDIDAS

SULCO ENCARNADO

JORRAMESPICHAM

DO BICO DA TETA

DA MENINA DOS OLHOS

DA JUGULAR ARTEIRA

DO BURACO DO UMBIGO DESENTUPIDO

DO ESCRITO.

~~~

Em 01 de junho de 1996 falece Civone Maria de Medeiros, aos 24 anos, amargamente assassinada por seu amante em Natal, Rio Grande do Norte. Tudo que deixou foi por meio d'um inventário, a seguir:

INVENTÁRIO D'UMA MORTA

1. Deixo minhas explosões para estourarem nas mãos dos covardes...

2. Dou minhas vestes ao forno do lixo.

3. Minhas estórias e histórias malescritas para serem cremadas como se fossem minha alma e minhas carnes....

4. Minha contentice triste levo comigo.

5. Minha alma tantas vezes roubada em fotos, deixo-as aos cegos do mundo.

6. O brilho do meu olhar deixo para que a lua o guarde...

7. Meu jeito non-sense e non-grata quero manter em seu comum lugar: o esquecimento.

8. Todas as minhas ressacas deixo ao vasto mar.

9. Meus mênstruos, que se espalhem e penetrem na pele dos falsos....

10. Minha doçura, que se afogue em terras de canaviais.

11. Minhas inconveniências, que fiquem com os canalhas...

12. O amor que havia em mim, cedo aos vazios e céticos; e o meu sexo ardente entrego aos frívolos...

13. Meus trêmulos nervos de angústia, gozo e repulsa dou aos vermes.

14. O que não há de belo em mim deixo aos conhecidos e estranhos...

15. As minhas lágrimas passadas sejam sempre um presente de alívio aos descrentes.

16. Aos meus sonhos decreto alforria...

17. Minha companheira, a solidão, peço que me acompanhe.

18. E a minha fragrância natural, que exale sedutora entre as narinas dos que me esquecerem...

19. Que eu não me lembre que quando dei por mim.......... mataram-me.

E só depois descobri.

20. Que esse "inventário" não passe d'uma amarga invenção semidramática e quase desnecessária....

P.S.: Que bom que ela é fênix!!!! Atualmente aos 27 anos, renascida por seu amor próprio e por intermédio d’um novo e autêntico amor; sabe que a estas mortes sempre sobreviverá seu coração amoroso.

~~~

Sangra feito regra

Artéria arteira visceral

Entranhas d’alma

Arte ara e rega

Vibra mutante / incendiária e enxurrada d’água

Cio desregra certeiro o destino de quem arde...

Emoção

...Sensitividade

Ara e sangra o coração cético emotivo

Que pulsa em corpo

Escrituras psicografadas, aradas, ardis, silentes, febris, gritantes, serenas...

Sangradas emanações que de minhas visões e vivências brotam.

Sou toda artéria, aorta a arte.

Artéria da alma do mundo, águia...

Vibro!

~~~

Ab-sinto...

Cair em cachos.

À eira, à guisa d’uma cachoeira.

Tequila...

Sal, limão, etílica comunhão.

Vinho...

Vem um sono bom.

Vem-me Bacante, uma d’elas que sou.

Baco? São.

Ver-mute...

Mutantencarnado, róseo.

Na passagem: “mezzo” rasgante.

Na chegada: suave.

Que lida! Uma sede na partida.

Cerveja...

Refrescante para a sede urgente.

Veja! Há tantos goles pr’um porre.

E para lavar? Mansamente.

Cachaça...

Na calçada ou num boteco.

Um caju no “tira”.

- Mais uma lapada!?! ...o eco.

No NAZI uma meladinha...

A pinga, o mel, o limão, gira e mexe.

D’um só gole desce.

- Que poesia sóbria é a minha?

~~~

Sangra da sinistra / amotras

Espicha artéria / desmanche em sangue

Multicor olor dor odor ardor amor

Sangra sangrações / rezas pagãs

Recorrente / sonora destoante

Ríspida sonoridade / idade vã

Arde ao atear-se arte

Infla amável véu translúdico

Hermética / hibrid’alma

Luz de templo

Grinalda amálgama / intimidades d’altar

~~~

Cheiro de pedra em meu

Coração impostor

Quentura de renascer aos

Poucos por mim

Tenho agora um coração

Livre

Ora frio, cego, inda

Bruto

Pulsar ávido por horiz

Ontes outrora

Lapidado a sangue lágr

Imas

Absorta e imune pela

Perdição que me faz essa

Liberdade

Estou alheia a ser fêmea

.......E as carências de assim se ser

Me atenho tão somente

A especulação psíquica

De todas essas possíveis

Emoções

E não sei se vivo d’outro

Modo

Para além deste espectro

Mundo fantasia que dou

Cria

E luz

~~~

Neste dia, longa é à noite

Curtos só meus pêlos e apelos

[não borbulho como champanhe]

...Aquele orgasmo encardiu a bandeira de paz de anil que estendi estuquiada no varal

Íris arco!

Há uma falta de silêncio em meu sexo côncavo

...Só hiatos de solidão há!

e

Encontros furtivos convexos

Há um estridente grito em meu corpo parco

...Não o ouço

O que não vem do porto

Não me é parte

Nem pertence só aos Deuses...

...Foi-se o tempo noite

Amolo foices e adagas ao amanhecer

e antes que venha a noitice

Fico a lambê-las com uma tesão tanta

Como se teu corpo fosse

Homem Felino Maroto

Menino Deus Pagão

Quero-te sempre entre madrugada noite

...Armo e amo em moitas e crateras

Em cena e em camarins

Poços e mirantes

Em asfaltos, mangues e ribanceiras

Basta que um vivente corpo encontre...

Então, apeteço, devoro

...Entrego o ouro e os diamantes

Sugo, apaziguo e como fonte de amor,

Jorro!

~~~

PASSEIO A PONTE POTENGI

UM SONHO DE POR DO SOL

RAIAR REVERENCIAL LITORAL

PAIOL DE BOMBAS E ANSEIOS A SE DETONAR...

~~~

...Esculhambo meu opúsculo

Nunca me concluo...

Terei outras vidas

Serei cadáveres outros

Comerei muitas poeiras...

Terei muitas estrelas

Devoro minha nobreza,

as misérias, a poética,

as entranhas e exponho

à livre feira dos mortos vivos...

...Nunca me concluo

~~~

RUDE POESIA

COMO GATA MIA

NO ASFALTO FUMACENTO

QUE RESPINGA GOTAS CRUAS

CHUVISCOS DE VERÃO PASSAR

O LIMBO A LIMPO PALAVRAS

SEM CRIAS

grunhia

A VIA NEM HAVIA

MEU CONTEXTO PARÁFRASE

mia

~~~

M u l h e r

Grita e Rouca-se

Ri e Leve-se

Pensa e Texta-se

Chora e Seca-se

Lambe e Molha

Morde e Marca

Fuma e Baga

Sua e Lava-se

CICLO E SANGUE

~~~

DESTINO iça velas

Desatracada ÂNCORA

Correntezas, correntes de ar, atlântico

Corta entre-mares / afluentes

nem o Danúbio nem o Potengi são azuis

as Veias = os Rios

Rios Grandes

espaçosos na memória

guardo a imagem de crepúsculo sobre o Potengi

... as valsas de Tonheca Dantas

céu de âmbar flamejante

cinza verde lodo Donau / Danúbio

Dúbio prazer em VER ora Outonal

...céu d’azul luzente

valsas vienenses

Próximo porto taça de “sekt” beijo espumante

Sina de emoções fluentes cheias de sangue veias ventos nas costas andejas...

estratégias de xadrês pulsação d’amor...

respiração inspiração transpiração

e a discreta Primaveva do lado hemisférico de cá

~~~

À Si...

ONDE GUARDAR?

ONDE PRENDER?

COMO NEGAR OU ESCONDER?

...OS BEIJOS QUE TENHO PARA BEIJAR

O QUE FAZER?

EM QUE BAÚ?

TRANSGREDIR?

OU CONTER?

O QUE BEIJAR?

...SE NÃO TUA BOCA?

A VONTADE LOUCA É DE TE TOCAR...

O QUE QUERER?

...SE NÃO TE TER NA MINHA BOCA?

E MATAR LOGO-LOGO

...ESSA SEDE QUE ME DEIXA ROUCA

...ESSA SEDE TANTA

...ESSA SEDE LOUCA

~~~

NATAL DA GEMA

GEMA POÉTICA

GÊIZER NATAL

GÊIZER POÉTICA

GEMA NATAL


BADALADEIRA

ATIRO PEDRAS

NO SEU QUINTAL


DA BALADEIRA

FAÇO A ZOADA

NA LADEIRA DA TAL

COQUEIRAL À GUISA D’UMA EMBOLADA

FONTE DO COCO

A AGUAR TOADAS

BALANÇO ZUEIRA

GAZUA GANZÁ


PRAIEIRA USINA

GAZEL MARACÁ


BADALO A BEIRA DO MANGUESAL

DA BALADEIRA

ATIRO PEDRAS

LÁ NA RIBEIRA

PUXO A TOADA

CANTO NATAL

COQUEIROS À GUISA D’UM COQUEIRAL


FONTE DE ZAMBÊ

O COCO – DO – NATAL

GÊIZER POÉTICA

GEMA NATAL

GEMA POÉTICA

GÊIZER NATAL

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ELAS

Alice me alicia

E Clarice me disse: visse como a vida vicia?

Silvia Plath rebate: visse que a vida é poética, é arte?

Janis me canta: visse que a deprê, o prazer, a dor, o amor é o que a vida encanta?

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MAMIFERANTROPO

LUX A MOR VITA

O FUTURO VINDO

CRESCE EM MEU VENTRE

MEXE SENTE

ENCHE MEUS SEIOS

MAIS TESUDOS

DESDE ENTÃO

TÃO BELO E BIZARRO

TÃO DENTRO ASSIM

DE MIM

OUTRA VIDA

PULSANTE

EXCITADA E

CRESCENTE

SEMENTE

PRÓ-CRIADA

POR NÓS

AMANTES

TÃO CEDO SUA

CHEGADA

FELIZ

MELHOR QUE

ANTES

TORNO-ME

FORTALEZA

INSTINTOS ANIMAIS

AFLORAM

SUA ESSÊNCIA

EM MIM

MAMIFERANTROPO

REALEZA

REALAMOR

REALIZAÇÃO FEMINA

HUMANA

DE CONCEPÇÃO VITAL

AMO MINHA BIANCA FILHA

AMO AINDA MAIS A VIDA

1994, Para minha filha Bianca.

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