Faço minha a necessidade do Artur Bispo do Rosário:

"Eu preciso / dEstas PaLavras / Escritas!"

Sou(L) também ESTA'MIRA:

"A minha carne, o sangue, é indefesa, como a Terra; mas eu, a minha áurea não é indefesa não. Se queimar os espaço todinho, e eu tô no meio, pode queimar, eu tô no meio, invisível. Se queimar meu sentimento, minha carne, meu sangue, se for pra o bem, se for pra verdade, pra o bem, pela lucidez de todos os seres, pra mim pode ser agora, nesse segundo, e eu agradeço ainda."

...@ PraZer é Noss@:

"Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lid@ é um prazer superficial.
Virginia Woolf

...E, inspirada em Frida Khalo:
"NUNCA ESCREVI MEUS SONHOS. / ESCREVO MINHA PRÓPRIA REALIDADE!
[c.m]"

O POTENGI ME TANGE

O Potengi me tange!
Os barcos do Potengi
Navegam meu olhar

Quando embarcam
Em barco com eles

Quando tu embarcas
Meus olhos marulham

M’embaçam
Me molham de água de rio

Ou é por esses olhos
Que o rio corre, decorre

M’esqueço que outras
Tantas vezes

Sou eu quem vai
Vôos, passeios

Navegos e voltas
Avenidas dos contornos

Você sempre torna, me volta
Retornos

Qual abelha, eu também
Estou sempre no entorno

Corre-corre
Pra boca da barra, que sou

Corre, da boca do rio de você
E m’atiça, desperta os cios

Me beija, me descerra
E me descobre

Revê-lo
Desanuvia, me revela

Descubro teus véus, talos
E flores, afloro

Xananas, acácias
Buganvílias, mangabeiras

Flor de jambo no chão
Qual tapete róseo

Me vem tudo à mente
As imagens mais belas

Minhas carícias sem defesas
Amo como quem não teme

Rósea a flor desperta
Entre pernas que te beija

A espada de santo é tua
E vem intensa, com leveza

Teus em mim
Semens sementes

Te protege Potengi
Em meu rio ventre

Aflue fluente e me molho
De teus molhos e manhãs

Lambuzo-me desse rio
Me banho e m’esbaldo

Te como a tarde, de noite
Na madrugada, na manha

Nem sei onde me ser
Ou me estar

Como te ser star
Me serestar

Qual não me ser
Qual estar

Quero você
Meu anelo de strass

Rio sozinha, à nós
Potiguar, sou atlante

Ou rio-me com tua presença
E mesmo quando ausente

Saudade é isso
Que não se explica

Então é sodade
Sodade, sodade...

E banzo não se benze
Só bate

Que às vezes nem existe
Se inventa

Ou é verdade
Ou é um intento de ausência

Pra sentir mais
O que se sente

E escrever quiçá
Um poema

Me pressa o rio sem presas
Me preza o rio sem pressa

Potengi não é Danúbio, Sena
Ganges, Guaíras nem Tejo

É o do norte, grande
E é o rio que amo e prezo

Desrepresa-se um rio inteiro
De amar, d’ardor

Fitar você é transe
Trance de olhares em flamas

É transa, corpos em trança
Me beija a cidade, correnteza

E esse amor de mililitros
M’embriaga, me néctar

Navego com ele
O crepúsculo me leva longe

Fico sem saber onde é onde
O não-sei-onde

Onde eu te encontre
Encante, você me cante

No quando, num quarto
De horas, num canto

Às vezes a dista é dentro
Nem é nos longes

Onde encerro meus pés
O agora e os ontens

Onde o finito me horizontes
Infindos

Na terceira margem
Do rio, das visagens

Todos amanhãs
Que me encontrem

Até nas tangentes
Nos passos, esparsos

Onde minhas mãos
Me escorrem, m’escapam

Artimanhas sensações
O Potengi me é porto e ponte

Aporte dos sentires
E quereres

É da vida, cenário, inventário
Roteiro, mirante

Alma cheia de braços
E mangues

Me navega pros teus ondes
Flagrantes, vazantes

O Potengi, amor...
Pois é, ele me tange



[c.m] Civone Medeiros

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