INVENTÁRIO...
1. Deixo minhas explosões para estourarem nas mãos dos covardes...
2. Dou minhas vestes ao forno do lixo.
3. Minhas estórias e histórias e poemas malescritos para serem cremados
como se fossem minha alma e minhas carnes....
4. Minha contentice triste levo comigo.
5. Minha alma tantas vezes roubada em fotos, deixo-as aos cegos do mundo.
6. O brilho do meu olhar deixo para que a lua o guarde...
7. Meu jeito non-sense e non-grata quero manter em seu comum lugar: o esquecimento.
8. Todas as minhas ressacas deixo ao vasto mar.
9. Meus mênstruos, que se espalhem e penetrem na pele dos falsos...
10. Minha doçura, doçura... Que se afogue em terras de canaviais.
11. Minhas inconveniências, que fiquem com os canalhas...
12. O amor que havia em mim, cedo aos vazios e céticos; e o meu
sexo ardente entrego aos frívolos...
13. Meus trêmulos nervos de angústia, gozo e repulsa dou aos vermes.
14. O que não há de belo em mim deixo aos conhecidos e estranhos...
15. As minhas lágrimas passadas sejam sempre um presente de alívio aos descrentes.
16. Aos meus sonhos decreto alforria...
17. Minha companheira, a solidão, peço que me acompanhe.
18. E a minha fragrância natural, que exale sedutora entre as narinas
dos que me esquecerem...
Que eu
não me lembre que quando dei por mim... Mataram-me. E só depois descobri.
Que
esse "inventário" não passe d'uma amarga invenção semi-over-mega-dramática
e quase desnecessária...
P.S.: Que bom que ela é Fênix!!!! Então aos 27 anos,
renascida por seu amor próprio; sabe que a estas mortes sempre sobreviverá seu
coração amoroso. E segue na lida – ainda – na sina, de estar viva.
^cm

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